quarta-feira, 19 de junho de 2013

Pela culatra

Frustração. Essa é a palavra que define o sentimento de quem escolhe o filme errado. Há muitas dúvidas com relação à sua escolha. Naquele dia, não se tem nada em mente. Percorre-se todas as prateleiras e seções da locadora. Nada. Até que aparece uma capa anunciando bons atores e diretor razoável. Diversão garantida?

De modo algum. Filmes policiais muitas vezes atuam como políticos: prometem, mas não cumprem. As sinopses, sempre bem elaboradas, atraem o espectador para uma armadilha. Essa emboscada visa roubar, em média, uma hora e trinta minutos que não voltam mais da vida daquele que está à procura de cenas com, socos, chutes, facadas, tiros e sangue.

Clássicos como Máquina Mortífera e Duro de Matar são modelos incontestáveis de bons filmes do gênero policialesco. Cumprem sua função, pois carregam uma grande dose de ação e humor. Esses longas são exclusivamente para entretenimento, não havendo espaço para reflexão. Quando o diretor resolve inserir uma carga dramática na história, geralmente não dá certo. A narrativa fica truncada, nada acontece, o filme cansa, os diálogos não fazem sentido.

Killshot - Tiro Certo é produzido por Lawrence Bender, produtor do clássico Pulp Fiction, de Quentin Tarantino. Além dele, Mickey Rourke (Sin City, Barfly), Joseph Gordon-Levitt (A Origem) e Rosario Dawson (À prova de morte) integram o elenco. Difícil imaginar que esse filme é ruim. Porém, o diretor John Madden conseguiu tal façanha.

Rourke interpreta Black Bird, um matador de aluguel indígena que se encrenca com a máfia. No meio do caminho, adota Richie Nix (Levitt) como parceiro e, depois de um assalto fracassado a uma imobiliária, passa a perseguir um casal sobrevivente que viu seu rosto. Com problemas conjugais, Wayne (Thomas Jane) e Carmen (Diane Lane) tornam-se o foco do thriller, impondo uma dramaticidade estranha à proposta policial da trama.

Depois de longos e intermináveis noventa e cinco minutos, tem-se a certeza de que Killshot é um tiro que, ao contrário de ser certeiro, na verdade saiu pela culatra.

2 comentários:

  1. kkkk ótima crítica.
    também não gostei do filme e não consegui ver todo.

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