sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Perdedores, ganhadores e os limites

Fazer exercícios físicos, praticar esportes, não levar uma vida sedentária. Todas essas regras fazem parte do cotidiano dos que habitam esse pequeno planeta. Por mais que as pessoas digam que não são vaidosas e pouco se importam com seu corpo, a prática regular de uma atividade física trás muitos benefícios, não apenas superficiais, como acabo de redescobrir. 

Digo isso porque, quando era mais jovem, jogava futebol quase todos os dias da semana. Depois, com a correria cotidiana, aderi ao cigarro e à cerveja, fiquei preguiçoso e, enfim, esqueci de como era prazeroso suar a camisa em uma quadra ou campo. 

Recentemente, conversando com uma amiga, dizia o quanto não gostava de frequentar academias. Aquele pessoal sempre bem disposto, com as mesmas músicas que nunca mudam, mais alguns marombados e marombadas se olhando no espelho em busca do tríceps perfeito e aquela sensação de competição me deprimem. 

Então, pensei: "Por que não começar a correr diariamente?". Sempre admirei aquelas pessoas que levantam cedo para fazer sua caminhada ou dar uma corridinha. Acho legal porque é você contra você. Não é preciso provar nada para ninguém. A cada aumento de distância percorrida, você comemora consigo mesmo e vê que está superando os seu limites. Sozinho. 

Para entrar nessa rotina, tive que me inspirar, como é de praxe, na literatura. Nos contos Fevereiro ou março, A força humana e Desempenho, Rubem Fonseca coloca como protagonista um halterofilista desencantado com o mundo que o cerca e que treina contra seus próprios limites. O mesmo contista aborda como personagem principal um aspirante a jogador de futebol profissional no conto Abril, no Rio, em 1970. Não obstante, este é um dos meus escritores prediletos. 

Agora, diariamente, coloco meus par de Adidas e bermuda velhos e vou até um parque aqui na cidade onde moro. Prefiro o período da manhã, pois daí o próprio dia rende muito mais. Consigo ler, escrever e estudar melhor acordando cedo. Essa corrida tem que ser regada a um bom punk rock, que é emitido por meus fones de ouvido em conjunto com o MP3 (é o apetrecho tecnológico que mais gosto). Esse estilo musical deve ser tocado por bandas que mantenham a pegada, para que o ritmo das passadas seja mantido. 

Ramones, Bad Religion e The Offspring fazem parte dessa playlist que remete aos idos de minha adolescência. Quando a corrida está chegando ao fim e eu já encontro-me quase no meu limite, não há nada que dê mais ânimo para seguir até o fim quando começa a tocar aquela saudosa música, devidamente provida de riffs simples, porém, poderosos. 

Ao final, quando há aquela parada para o alongamento, percebo que estou sorrindo. Intrigo-me. Uma brisa refrescante me diz que essa disputa interna é a mais saudável possível. Não tenho outra alternativa se não concordar com ela. Não houve perdedor. Não houve ganhador. Apenas alguém que superou certo limite.

20 comentários:

  1. sou sedentária admito e não me sinto confortável no ambiente das academias. não tenho pique nem para subir escadas, condicionamento péssimo.
    parabéns pela iniciativa, o seu pulmão deve agradecer.
    legal isso de você contra você mesmo, sem precisar provar nada. é isso mesmo.
    ah ! adorei a playlist da "maratona", empolgante.
    Hey, ho! Let's go ;)

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    1. Pois é, Aline, meus pulmões realmente estão me agradecendo. E se tem alguém que não poderia fumar nesse mundo, esse sou eu. Tive bronquite por um bom período de minha infância.
      Hahaha! Sim, Ramones é uma banda que emploga qualquer corrida.

      Um beijo.

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  2. Eu tenho problemas com ser gorda, não aceito ser gorda, então exercícios físicos e academia sempre fizeram parte da minha vida, até um dia me cansar de tudo aquilo, aquela gente de academia me dá uma certa agonia. Enfim, eu sinto agonia com vários tipos de contato humano, pois sou uma antissocial assumida... rs.

    Hoje em dia tá cada vez mais difícil manter o peso, apesar de continuar magra, então penso na hipótese de voltar à academia, porque moro num centro urbano e não tem onde correr aqui... rs.

    Talvez eu volte para a academia depois do carnaval, vamos ver.. rs

    Beijocas

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    1. Uma boa forma de evitar contato social na academia são os fones de ouvido. Uma boa música coloca uma barreira quase que intransponível entre você e terceiros.

      Beijo.

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  3. O meu gosto é um pouco diferente. Gosto de caminhar lá pelas 6 da manhã, e de preferência, lugar silencioso, em ruas periféricas.

    No frio, caminho tb no horário de almoço, perto do trabalho, onde felizmente consigo achar ruas sossegadas, com pouquíssimo trânsito.

    http://grandeonda.blogspot.com

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    1. Caminhar é um dos melhores exercícios para mim também, Carlos. Pode não parecer, mas esse tipo de atividade trás bons resultados a longo prazo. Fora o prazer de apreciar o ar puro e fresco de certos períodos do dia.

      Abraço.

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    2. Mt legal! Acho tbm que tudo melhora qd a gente comeca a se movimentar, correr é mt bom, nao é mt minha praia, mas eu quero comecar tbm a correr.

      Tbm nao gosto de academia, sabe? Principalmente no Brasil onde so vemos aquele pessoal metidao que vc bem falou aqui. NAO SUPORTO. Aqui achei uma academia maravilhosa,e as pessoas sao mt legais. To adorando.

      Bom, alguma coisa tem que ser feita sabe? Movimento é mesmo, fundamental pra saude.

      Um abraco e fiquei feliz por ter te trazido hj boas lembrancas,eu tbm sempre fui boa com redacoes, modéstia às favas! agora em matematica, Donnerwetter!!! :-)

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    3. Puxa vida, difícil achar alguma coisa daí que não seja melhor que aqui. Até as academias!

      Pois é, em matemática eu também era péssimo. Cada vez que eu recebia uma prova gritava Donnerwetter!

      Abraço.

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  4. Assim como o Carlos Medeiros, meu gosto também se adapta à caminhadas matutinas. É uma pena que não possa realizá-la todos os dias, por conta dos estudos.
    No entanto, aos finais de semana, costumo caminhar bem cedinho.

    Achei bem bacana essa corrida que você descreveu, Livre de competições e que traz resultados tão positivos quantos os famosos "campeonatos de academia".

    Abraços.

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    1. Para mim essas atividades são melhores se feitas pela manhã. Muita gente ainda tá dormindo, então, é um sossego só.

      Abraço.

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  5. CAra a muitos séculos atrás eu corria, era maravilhoso, até a estafa.... mas tem muito tempo que né? como vc disse o corre corre... mantenha-se no pique.

    Beijundas

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    1. E eu desejo que você retome o pique.

      Beijo.

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  6. Sem dúvida, somos nossos maiores desafiadores, nas mais diferentes instâncias de nossa vida. Correr é algo que me dá prazer também. Tenho pensado em voltar a praticar esportes também, pela necessidade de me ver em movimento. A música acompanha todos os momentos do cotidiano,é por vezes um tipo de "óculos mágico" que vestimos para enxergar mais graça nas coisas. Eu acho que as coisas mais banais têm muito mais graça se acompanhadas de trilha sonora! Recentemente descobri via postagem de amigos no Facebook ( vejo aqui um uso positivo dessa rede) o punk do Bad Religion, banda que conhecia de nome, de gênero mas não muito de som. Bacana partir tudo isso de uma inspiração literária!

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    1. Pois é, vejo tanta merda no Facebook que também fico surpreso quando ele é utilizado de maneira produtiva. Legal você ter conhecido o Bad Religion, que é uma banda essencialmente política, através dessa rede.

      Obrigado pela visita, volte sempre e abraço.

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  7. Magrelo juramentado e crente no poder dos ossudos, eu participo da corrente dos 'Não Academias'. Os bate bolas ficaram pela mocidade, mas jamais fui sedentário. Caminho todos os dias a décadas, adepto que sou do não uso do carro para trabalhar. Fone de ouvido, mp3 calibrado, café bem tomado e lá vou eu na 'caminha'. Baladeiro dançarino por opção, o esqueleto esta sempre em ação e nem os cigarros, os whiskys ou as 5 horas de sono diários me impendem de estar em forma pros 44 anos que tenho. Músculos sempre foram melhores pros meus olhos, que pra vestimenta encarnada deste meu sem. Limites... não sei se tenho, apetite pra malhar...NÃO. Abrax.

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  8. Hahahahaha! Faço parte da estirpe dos magrelos também.

    Abraço.

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  9. Nada melhor do q superar seus próprios limites...
    Hoje turbinei meu ipod de músicas e amanhã sigo seu exemplo, alguém precisa fazer alguma coisa né? q seja eu.
    vou de the who, smashing, the cure, smiths, faith no more, radiohead, rem e muitos outros.
    obrigada pelo incentivo.
    (espero q seja fácil, já q larguei o cigarro em 2006)

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    1. Fico feliz que esse humilde texto a tenha inspirado. E a trilha sonora é magnífica.

      Beijo.

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  10. Andei pouco e foi na rua procurando coisas... não deu pra fazer a caminhada dos 'limites', mas já deu pra alguma coisa.
    bjs

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