sábado, 31 de dezembro de 2011

Fechando a conta

Não. Se você acha que esse post será um relato sobre esse ano que termina e que resmungarei aqui sobre todos os meus erros e acertos, desejando a todos que o lerem um 2012 repleto de felicidades e harmonia, estão enganados. Falarei mais especificamente sobre essa experiência que completa um mês de vida, que é a de escrever nesse espaço e ser lido por pessoas experientes ou, assim como eu, iniciantes nesse universo grandioso chamado blogosfera.

Durante esse primeiro mês de postagens, conheci muita gente boa que de forma independente e sem fins lucrativos se disponibiliza a escrever textos de qualidade e compartilhar pontos de vista em comum ou divergentes com desconhecidos. Confesso: dar a cara à tapa aqui não é fácil. É como uma prova de literatura. Nunca será uma unanimidade. 
O que me impulsionou a inaugurar esse espaço foi a paixão que tenho desde moleque pelo jornalismo, e a "obrigação" que me dei de escrever aqui faz com que eu me sinta em uma redação jornalística. Cresci lendo o falecido jornal sensacionalista Notícias Populares e me deliciava com os textos escritos por Voltaire de Souza. Hoje sou assinante dos diários Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Neles, sou leitor assíduo e aprendiz de articulistas consagrados, como Jânio de Freitas, Juca Kfouri, Tostão, Álvaro Pereira Júnior, Marcelo Rubens Paiva, João Ubaldo Ribeiro, entre outros e mais outros. E na blogosfera, descobri Vanessa Bencz, vulgo Garota Distraída, uma grande jornalista que, assim como os nomes acima citados, sigo fanaticamente.

Há os espaços que funcionam como diários, como o da guerreira Dama de Cinzas, que recentemente postou sua saga nos concursos públicos, ou da enigmática Sentimental, que reproduz seus sentimentos por meio de textos e imagens poeticamente eróticos. E por falar em sujeitos enigmáticos, cito também meu companheiro Byjotan, pessoa que me fez entrar nessa empreitada, por meio de uma frase que levo comigo e distribuo a todos os que buscam conhecimento nessa internet infectada pelas redes sociais: "Vida inteligente, é no blog."

Espero conseguir, mesmo no período de aulas, manter esse ritmo de postagens, e que elas venham providas de qualidade textual e cultural. Com certeza deixei de citar aqui alguns nomes. Mas quero que as pessoas que me seguem e que por mim são seguidas considerem-se citadas.

Saúde, cultura e fartura de ideias para todos nós.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A todos os twitteiros, faceiros e blogueiros

Há algum tempo não muito distante, mais ou menos um ano atrás, eu era um tipo revoltado com as redes sociais. Para mim, TwitterFacebook e Orkut (principalmente esse último) eram grandes latas de lixo em que as pessoas depositavam os excrementos de suas vidas monótonas, como se aquilo interessasse a alguém. Semana passada encontrei uma definição razoável para esse tipo de atitude, e ela foi dada por Boni, durante sua entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura. Dizia ele que não participava das redes sociais pois considerava isso um "suicídio social". Expor-se de maneira acintosa, falar das intimidades mais banais, enfim, tornar a sua vida um livro aberto.

Outra coisa destacada pelo ex-chefão global foi a falta de cultura de quem participava desses grupos, fato esse que me fez relutar durante algum tempo em efetuar meu cadastro definitivo nesses sites de relacionamento. Meu primeiro contato com o Twitter foi quando li os micro posts de alguns amigos. Eram frases mais ou menos como "queimei meu dedo no fogão. que coisa!"; "estou esperando ansiosa meu namorado, o @fulano."; "ontem vomitei muito na balada. e hoje tem mais!".  Com o Facebook não foi diferente. Para mim, tratava-se de um novo Orkut, apenas mais dinâmico. E Orkut para mim era sinônimo de vegetar em frente ao computador, procurando algo que nunca iria encontrar, bisbilhotando o perfil alheio, imaginando se aquela pessoa realmente apresentaria a carga de cultura que sugeria. As decepções foram muitas.

Mas o que fazer? Todos os jornais e revistas que eu lia e leio estavam e estão totalmente ligados a essas redes. O jeito foi aprender a usá-las. Foi árduo o aprendizado e ainda é, já que me considero um verdadeiro analfabeto da rede mundial de computadores. Hoje, aprendi a garimpar a informações que me são apresentadas. Há, sim, vida inteligente no Twitter e no Facebook. Muita gente boa procura postar somente coisas que acrescentem alguma informação às nossas mentes. Claro, ainda vejo muita coisa escabrosa, de arrancar os cabelos e perder as esperanças na raça humana.

Recentemente li um artigo da autoria de Marcelo Rubens Paiva no jornal (impresso, pois ainda prefiro esse ao eletrônico) O Estado de S. Paulo, em que ele falava sobre as novas tribos cibernéticas, divididas por ele entre faceiros twitteiros. Não quero ser de nenhuma delas, já que possuo conta em ambas, mas se me for perguntado a qual prefiro, gosto mais do Twitter. Lá eu vejo uma série de breaking news que muitas vezes chegam a mim por pessoas que sigo, além do próprio sistema de postagens em 140 caracteres exigir mais da criatividade de quem escreve.

E foi por meio do Twitter e também, como já foi citado no meu primeiro post, através da recomendação de um amigo que cheguei a essa rede que considero como a mais interessante de todas: a blogosfera. Em quase um mês de uso contínuo, já vi muita coisa boa, de gente que de forma anônima e sem fins lucrativos exala a sua sapiência por esse território sem dono chamado internet, enriquecendo o repertório dos assuntos das mesas de bar de quem os lê.

Agradeço aqui, então, a todos os twitteirosfaceros e, acima de tudo, os blogueiros que tornaram as minhas estadias na internet mais produtivas.

Um abraço.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ficçãozinha II



Minha cidade é sombria. Minha cidade é diabólica. Minha cidade é estarrecedora.
  
Na minha cidade os raios solares quase não tocam o solo por conta da fumaça que paira no ar. Mas não é a fumaça eliminada pelas indústrias fabricantes de metralhadoras que disparam balas revestidas por diamante e titânio. Essa fumaça é gerada pelos milhares de baseados acesos por seus habitantes, que vivem em uma eterna e complexa “viagem”. Esses baseados são vendidos clandestinamente pelos policiais detentores daquelas potentes metralhadoras estraçalhadoras de pensamentos anarquistas.
  
Na minha cidade, os justiceiros mascarados, tal como já foi dito por Bob Dylan, saem à noite para bater nos que sabem mais do que eles. Para esfolar os que infringem o que eles chamam de lei. Para desfigurar os estupradores. Para matar os políticos corruptos. Para decepar os policiais chantagistas. Para capar os pedófilos. Para sujar as mãos de sangue.

Na minha cidade, a noite é repleta de bares lotados por todos os tipos de pessoas: punks, hippies, traficantes, prostitutas, matadores de aluguel. E a trilha sonora que embala as madrugadas, além dos gritos de horror e prazer, é o rock, o jazz, o be-bop.
  
Minha cidade não tem nome. É um lugar no meio do nada. E esse nada tem um nome: imaginação.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Da boate para o bar

Mais um ano está chegando ao fim e como todo mundo (se não for todo mundo, uma boa parte da população mundial) faço um balanço do que foi feito, desfeito, melhorado, piorado, atingido, inalcançado e etc. Analiso os outros anos que se passaram e tento ter uma base de como serão os seguintes.

Mas a maior conclusão que obtive nesse período de doze meses que separou o final de 2010 do início de 2012, ou seja, o ano de 2011, foi que estou ficando velho. Sim, velho, o que significa ranzinza, sem pique, caseiro, reclamão, anti social e derivados. Falo isso porque já não programo meus finais de semana como antigamente.

Há alguns anos, quando chegava a quarta-feira, já começava a correr freneticamente os olhos pela lista telefônica de meu celular à procura de companhia para uma possível balada. Sexta e sábado eram dias sagrados para uma grandiosa bebedeira, de preferência em um lugar onde estariam muitas pessoas, melhor ainda se a maior parte delas fosse constituída por indivíduos do sexo feminino. A música não importava, desde que houvesse esse recém e bem sucedido implantado sistema que tanto faz a cabeça da gurizada, o tal do open bar. O domingo era reservado para uma implacável ressaca, que me mantinha na cama o dia todo. Não conseguia fazer mais nada, a não ser pensar que na próxima semana tudo começaria de novo.

Hoje, bem, tenho aversão a esse tipo de programa. Prefiro os bares com uma penumbra aconchegante, acompanhado de música que pode variar do blues à MPB. A dose de cerveja é bem menor que a daqueles tempos sórdidos. Cinco ou seis cigarros, no máximo. Nada de varar a madrugada. Se o bar estiver muito lotado e sem mesas disponíveis, não reluto em voltar pra casa e ver um filme. Os amigos também mudaram, assim como as mulheres. No boteco, pode-se conversar sobre música, cinema e literatura, além de trivialidades, o que era impossível de se fazer com o DJ "incendiando" a pista com uma mistura de Lady Gaga com Madonna.

Se sou mais feliz hoje ou no passado? Tudo tem a sua época. Mas me sinto mais equilibrado e sábio em relação às minhas escolhas. As mesas de bar me ensinaram muito mais coisas que as casas noturnas. Há algo de filosófico que está intrínseco ao boteco. A maioria dos grandes escritores e músicos foi frequentadora desses locais.

Se você ainda prefere as casas noturnas, recomendo que reflita sobre a possibilidade do bar. É uma saída filosoficamente interessante.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Crise de originalidade

Por conta da necessidade de obter embasamento teórico em minha pesquisa acadêmica, fui obrigado a ler alguns textos bem maçantes, do tipo filosóficos, que deixam a cabeça da gente fervilhando, com o tico e o teco trocando socos, tapas, pontapés, enfim, uma confusão. Mas um desses textos me chamou muito a atenção, tanto para a literatura quanto para a música. Tratava-se de uma dissertação intitulada "Tempo e história: introdução à crise",  da autoria do falecido estudioso Benedito Nunes. Nesse texto, o autor fala sobre as dificuldades em ser original e romper com os clássicos.

No que diz respeito à música, vou me ater ao âmbito do rock em geral, que é a parte mais apreciada e entendida por minha pessoa. No Brasil e no mundo, os degustadores desse estilo estão passando por um hiato de bandas realmente boas. As atuais, que se propõem a uma originalidade um tanto quanto duvidosa, fazem um tipo de música que nada tem a ver com os clássicos, tais como Pink Floyd e Led Zeppelin. Acho um absurdo essas bandas novas não olharem para a história antes de tentarem fazer música. Nunca veremos, com absoluta certeza, algum desfortunado com uma camiseta do Restart ou do NXZero. São descartáveis, jamais terão suas músicas estudadas, já que essas não se baseiam em nada. Os clássicos utilizam obras literárias como base, como fizeram várias vezes Iron Maiden e Metallica. Não fazem parte de nenhum movimento, dão entrevistas sem nexo nenhum, não estudam, não leem, não fazem nada. São um poço sem fundo de ignorância. Um mal exemplo para sua geração.

Dialogando com os escritos de Benedito Nunes, esses jovens descabeçados romperam com os clássicos, mas mudaram o conceito de originalidade. Hoje, não quero algo original. Quero que os clássicos retornem. Já.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Templo do saber

Hoje, durante meu horário de almoço, iniciou-se uma discussão a respeito de religião. Como é de praxe, não me intrometi, pois acho que esse lance de crer em alguma coisa é muito mais do que subjetivo, é íntimo. Uma pessoa ir lá e dizer pra outra que ela está errada em seguir determinada doutrina é a mesma coisa que invadir o banheiro de alguém, quando este está fazendo suas necessidades fisiológicas naquele momento.

Mas me peguei a pensar com relação aos lugares que essas pessoas religiosas frequentam, conhecidos como igrejas ou templos. Algumas delas acham que, por serem frequentadoras assíduas desse locais, estão sob uma suposta proteção divina que as dá respaldo para falarem e fazerem o que quiserem. Tenho exemplos como esse no meu trabalho, em que vejo diariamente alguns sujeitos expondo pensamentos duvidosos para quem acredita em algo e se diz seguidor dos ensinamentos divinos. Até em minha própria família, que é extremamente católica, vejo algumas situações que me causam leve irritação. Não classificarei tais indivíduos, mas sempre quando voltam de uma celebração, nunca ouvi ninguém comentar a respeito do que o sacerdote disse sobre as leituras bíblicas daquele dia, ou até mesmo debateram sobre o que foi dito pelo orador cristão, com diferentes pontos de vista e etc. Relatam apenas coisas triviais, como o decote de certa dondoca, a leitura ruim feita pela dona Maria, o padre que demorou exageradamente para encerrar o evento.

Eu também já fui católico praticante. Ia religiosamente à igreja, participava de grupos, enfim, fazia tudo o que achava que seria bom para a minha formação religiosa. Hoje, já não vou há muito tempo a esses lugares. O que mudou não foi minha crença, mas sim o olhar sobre a maioria das pessoas que vão a essas "casas sagradas". Nas empresas em que trabalhei e onde trabalho atualmente, as pessoas mais desleais foram sempre as que diziam participar de alguma reunião religiosa no mínimo uma vez por semana. Sempre quando alguém desconhecido diz "fui à missa ontem", "prego a palavra tal culto" ou coisas do tipo, preconceituosamente meu pé desloca-se para trás.

Hoje em dia, o local que mais aprecio e que apresenta conteúdos enriquecedores é a sala de aula. E tomei a literatura como religião. A faculdade é um antro sem doutrinas religiosas específicas, onde, por meio dos movimentos e períodos literários variados, podemos exercer discussões sem nenhum tipo de barreira espiritual. Através de escritores como João Guimarães Rosa, que nos mostra através de suas belas narrativas o lado religioso de pessoas simples, e José Saramago, que com a visão de um clássico ateu comunista, critica com refinada ironia as perversidades históricas exercidas pela igreja católica, podemos ter uma ampla visão sobre o assunto, e, se quisermos, escolher uma dourina a seguir.

Pelo sim ou pelo não, as salas de aula ainda são os verdadeiros templos sagrados da sabedoria.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ficçãozinha I


Da sacada do seu apartamento, localizado no oitavo andar, ela sentia a doce brisa do entardecer acariciar-lhe o rosto. Seus cabelos acompanhavam o fluxo do vento vespertino e lhe tocavam levemente a face. Com um cigarro entre os dedos e os fones de seu velho walkman colocados em seus ouvidos, ela olhava para o emaranhado de edifícios que se colocava à sua frente. Apreciava os efeitos que os últimos raios solares produziam nos contornos da selva de pedra. Era algo extremamente belo, que só era possível de ser contemplado porque ela não ouvia nada. Nada humano. Nada automatizado. A única coisa que ela ouvia eram as batidas disco e os solos psicodélicos do Pink Floyd. As faixas luminosas do fim de tarde, as silhuetas em degradê das construções, seus pulmões aquecidos pela fumaça de seu cigarro e a música ao mesmo tempo relaxante e empolgante produziam uma sinergia inexplicável. Tudo era belo e ensurdecedoramente melódico.

Mas, eis que, o cigarro chegou ao fim e a fita cassete também. O botão play de seu walkman destravou produzindo um ruído e então ela ouviu o verdadeiro som do mundo, vindo do inferno que eram as ruas lá embaixo. Motores roncando escandalosamente, buzinas perturbadoras e uma voz nem masculina, nem feminina, que bradava:
"Vai tomar no cu, seu filho da puta! Onde você aprendeu a dirigir?"
O sol se pôs, o céu escureceu, os prédios iluminaram-se de luzes eletricamente vulgares e ela se lembrou de que teria de trabalhar no dia seguinte.

A vida não foi, não é e nem nunca será um mar de rosas.